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De Florianópolis a ‘Dubai brasileira’, Santa Catarina supera 16 km de praias alargadas

Brenno Ramos
Brenno Ramos
Tempo de Leitura 6 min

Apesar de serem bem conhecidas pelo processo de engordamento da faixa de areia, a primeira ação de extensão ocorreu em uma pequena cidade, que repetirá o processo pela quarta vez.

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Comemorando o aniversário de Florianópolis em 23 de março, a obra de alargamento da praia de Jurerê, uma das mais famosas do país, é considerada a maior intervenção desse tipo na capital catarinense.

Com essa entrega, Florianópolis totaliza três obras de alargamento desde 2019, totalizando 8,47 quilômetros de praias estendidas, incluindo Canasvieiras (2019) e Ingleses (2023). Todas essas praias estão localizadas na parte norte da ilha, a área mais populosa e procurada por turistas locais e estrangeiros.

As intervenções milionárias nas faixas de areia, cujo objetivo é impulsionar o turismo e mitigar os danos causados pela erosão e pelo avanço do mar, não se limitam à capital.

O alargamento da faixa de areia é um processo de alimentação artificial da praia, no qual a areia é dragada do fundo do mar e bombeada para a praia, aumentando assim o espaço disponível.

Essas obras são conduzidas por empresas especializadas, que contratam dragas, todas de origem estrangeira, para realizar a execução. Durante os trabalhos, os ambientes afetados são interditados.

📍 Balneário Camboriú, intervenção de grandes dimensões Outra intervenção de destaque foi a da Praia Central de Balneário Camboriú, no Litoral Norte, que possui 5,6 quilômetros e é uma das maiores do país.

Concluída no final de 2021, essa obra chamou a atenção para a região, uma das mais prósperas de Santa Catarina e do Sul do país. Com sua paisagem de mar e arranha-céus ao longo da orla, Balneário Camboriú é conhecida como a “Dubai Brasileira”.

Projetada para conter o avanço do mar, essa obra de engordamento enfrentou desafios com a força da natureza logo no primeiro ano, com a formação de “degraus” na faixa de areia e mais de 80 metros sendo erodidos pelo mar.

📍 Balneário Piçarras, a pioneira (e ainda ativa) Apesar das obras mais recentes chamarem a atenção por estarem em áreas de grande concentração populacional e turística, os alargamentos de praias em Santa Catarina têm uma história mais longa do que se imagina. A primeira intervenção ocorreu há 25 anos, em 1998, na pequena cidade de Balneário Piçarras, que possui 25 mil habitantes e também está localizada no Litoral Norte.

Essa cidade está atualmente em processo de licitação para realizar novamente, pela quarta vez, o mesmo trecho de 2 quilômetros na Praia de Piçarras. Segundo a prefeitura, o objetivo é proporcionar mais espaço para o público e conter a erosão costeira.

Prazo de validade

A situação em Balneário Piçarras destaca a importância de considerar o “prazo de validade” das obras, além da necessidade de uma avaliação constante do terreno costeiro e de como as interferências humanas podem afetar a fauna marinha nas áreas afetadas.

Na cidade, por exemplo, as obras de 1998 e 2012 foram de grande porte devido a tempestades que geraram ondas e danificaram a estrutura costeira, reduzindo a faixa de areia, informou a prefeitura.

O edital para as novas obras foi lançado três vezes, mas não atraiu interessados, levando a administração pública a publicá-lo novamente. A prefeitura prevê um investimento de R$ 16,5 milhões para esses trabalhos.

A atenção aos efeitos a médio e longo prazo dos alargamentos motivou a publicação, em 2023, de uma análise técnica realizada por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Nesse documento, os especialistas propõem estudos mais detalhados sobre os impactos das megaobras em Santa Catarina, além da atualização da resolução do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema).

Esse texto é o que orienta esse tipo de projeto no estado e pode servir de base para estudos sobre novos alargamentos, que já foram planejados em outras cidades costeiras de Santa Catarina. Além de Balneário Piçarras, os municípios de Navegantes, Itapoá e Barra Velha estão em fase de planejamento de engordamentos.

Das obras já realizadas, chamou a atenção o surgimento de “degraus”, que desnivelam a faixa de areia. Essa situação ficou mais evidente na Praia Central de Balneário Camboriú, onde ocorreu apenas 10 meses após a conclusão da obra, que custou mais de R$ 60 milhões.

No caso dos degraus, o alargamento funciona apenas como um “amortecedor temporário” contra a erosão costeira. Os especialistas defendem que outras estratégias devem ser adotadas para evitar que o mar “engula” novamente as áreas.

A análise técnica realizada pela UFSC e assinada pelos pesquisadores Gabrielli Scussel Pereira, Alessandra Fonseca, Paulo Pagliosa e Paulo Horta também destaca que o aspecto econômico não deve ser a única justificativa para a execução das obras.

Esse levantamento analisou os trabalhos de engordamento realizados nas três praias de Florianópolis e em Balneário Camboriú. Entre os alertas e recomendações, destacam-se:

O alargamento funciona apenas como um “amortecedor temporário” contra a erosão costeira. Caso outras estratégias não sejam adotadas, há o risco de o mar “engolir” novamente as áreas; Licenças e autorizações para as obras devem levar em consideração e compreender a extensão da poluição do ar e da água provocada pelos serviços; No meio aquático, a degradação ocorre, por exemplo, quando a areia é retirada do fundo do mar para aumentar a orla, o que afeta materiais anteriormente imobilizados abaixo da areia; A dragagem e o aterramento de praias têm impactos não apenas locais, mas também trazem consequências para o ambiente próximo às orlas que passaram por obras.

⌛ IMA estuda atualizar processos

O Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA), responsável por conceder licenças ambientais no estado, afirma que está desenvolvendo uma proposta de aperfeiçoamento para a resolução do Consema, que regula os projetos de alimentação artificial das praias. Uma atualização da própria instrução normativa também está em discussão.

Essa decisão foi tomada durante o 1º Workshop sobre Alimentação Artificial de Praias – Prática e Gestão Ambiental, realizado em 21 de novembro de 2023, que discutiu a erosão das regiões litorâneas catarinenses.

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