O litro da gasolina encerrou a última semana de abril de 2026 cotado a R$ 6,72 em média no Brasil, segundo dados da ANP. Com o petróleo acima de US$ 100 o barril no mercado internacional e uma proposta de corte de impostos tramitando no Congresso, o preço nas bombas pode mudar — para cima ou para baixo — nas próximas semanas.

Abastecer 50 litros custa hoje em média R$ 336. Há seis meses, com a gasolina a R$ 5,80, o mesmo tanque saía por R$ 290 — uma alta de R$ 46 (16%) que aparece diretamente no orçamento familiar e no custo de transporte de mercadorias.

Por que a gasolina está a R$ 6,72

Três fatores explicam o preço atual:

  • Petróleo acima de US$ 100 o barril: A escalada dos conflitos no Oriente Médio — especialmente o envolvimento de Estados Unidos, Israel e Irã — pressionou o Brent para além da marca de US$ 100, nível não visto desde 2022. Isso eleva o custo de produção da Petrobras.
  • Real mais fraco: O dólar oscilando entre R$ 5,20 e R$ 5,30 encarece as importações de derivados e aumenta a pressão sobre a cadeia de combustíveis.
  • Impostos estaduais (ICMS): O Confaz atualizou as referências do PMPF para maio de 2026, o que pode elevar a base de cálculo do imposto em alguns estados.

Quanto custa a gasolina no seu estado — faixa de variação

RegiãoPreço médio estimado/litroPor que varia
Sul e SudesteR$ 6,40 – R$ 6,70Menor frete, maior concorrência
Centro-OesteR$ 6,60 – R$ 6,90Distância das refinarias
NordesteR$ 6,60 – R$ 7,00Logística + ICMS estadual
NorteR$ 6,80 – R$ 7,40Frete elevado, acesso difícil

Fonte: ANP — semana de 19 a 25/04/2026. Preços finais ao consumidor incluem ICMS, margem do posto e frete.

A nova política de preços da Petrobras

Desde o governo Lula, a Petrobras abandonou a PPI (Paridade de Preço de Importação) — modelo que ajustava os preços automaticamente conforme o mercado internacional. Hoje, a estatal define os preços com base no "máximo que o mercado aceita pagar" versus o "mínimo viável para a Petrobras".

Na prática, isso significa que altas no petróleo internacional nem sempre chegam imediata e proporcionalmente ao consumidor — mas também significa que a empresa absorve parte do impacto em sua margem, o que pode afetar os resultados e os dividendos pagos ao governo e acionistas.

Publicidade

O projeto de corte de impostos no Congresso

Tramita no Legislativo uma proposta do governo federal para reduzir impostos federais sobre combustíveis. Se aprovada, a Petrobras poderia repassar parte dessa redução nos preços finais — mantendo ou até reduzindo o valor nas bombas, mesmo com o petróleo caro no exterior.

O cronograma de votação ainda não está definido. Até lá, o preço segue pressionado.

Simulação: o impacto no bolso em maio

SituaçãoLitros/mêsCusto atual (R$ 6,72)Se subir 5% (R$ 7,06)
Usuário leve (carro pequeno)40 LR$ 268,80R$ 282,40
Usuário médio (uso diário)80 LR$ 537,60R$ 564,80
App driver / autônomo200 LR$ 1.344,00R$ 1.412,00

Simulação com base na média nacional de R$ 6,72. Consulte o Painel ANP para o preço na sua cidade.

O que esperar para maio de 2026

Três cenários são possíveis:

  • Estabilidade: Petrobras mantém o preço atual se o petróleo não subir mais. Probabilidade: moderada.
  • Alta: Se o Brent ultrapassar US$ 110 e o real enfraquecer acima de R$ 5,40, a pressão para reajuste aumenta. Probabilidade: relevante.
  • Queda: Só se o Congresso aprovar o corte de impostos e a Petrobras repassar o benefício. Probabilidade: baixa no curto prazo.