O Banco Central confirmou que novas regras do Pix entram em vigor em junho de 2026 — com foco em proteção contra golpes. A principal novidade: instituições financeiras passam a ser obrigadas a bloquear valores suspeitos por até 11 dias enquanto investigam fraudes. A medida faz parte do MED 2.0 (Mecanismo Especial de Devolução), atualização que pode reduzir em até 40% os golpes bem-sucedidos no sistema, segundo estimativas do próprio BC.
Em 2025, o Pix processou mais de R$ 26 trilhões em transações. Junto com o crescimento do uso, vieram os golpes — que geram bilhões em prejuízo anual. As novas regras tentam reagir a esse cenário sem comprometer a velocidade que tornou o Pix popular.
O que muda no Pix a partir de junho de 2026
| Mudança | O que afeta |
|---|---|
| MED 2.0 | Bancos podem bloquear valores suspeitos por até 11 dias enquanto apuram fraude |
| Rastreabilidade entre contas | Sistema rastreia o caminho do dinheiro mesmo após múltiplas transferências |
| Validação biométrica obrigatória | Para aumentar limite acima de R$ 1.000 em dispositivo não cadastrado |
| Limite reduzido em dispositivos novos | R$ 200/operação e R$ 1.000/dia até validação biométrica |
| Prazo da vítima | 80 dias para acionar o MED após a transação suspeita |
Fonte: Banco Central, Resolução BCB 546/2026 e Agência Brasil.
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Como o MED 2.0 funciona na prática
- Vítima identifica fraude — Pix transferido por engano ou em golpe
- Aciona o banco em até 80 dias via app ou central de atendimento
- Banco abre o MED — sistema rastreia para onde o dinheiro foi
- Se o valor está parado em conta destino: bloqueio automático por até 11 dias
- Análise de fraude: banco apura se foi golpe ou erro
- Devolução — confirmada a fraude, valor volta à conta da vítima
- Se já foi sacado: vítima precisa registrar BO e entrar com ação na Justiça
Limites do Pix em 2026 — o que vale agora
| Situação | Limite padrão |
|---|---|
| Dispositivo cadastrado, dia (06h-20h) | Conforme limite do banco (até R$ 50.000+) |
| Dispositivo cadastrado, noite (20h-06h) | R$ 1.000 (regra BC) |
| Dispositivo não cadastrado | R$ 200 por operação · R$ 1.000/dia |
| Após validação biométrica | Liberação até o teto do banco |
O limite noturno foi criado para reduzir os golpes do "sequestro relâmpago" — situações em que criminosos forçam vítimas a fazer Pix de alto valor durante a madrugada. Fonte: Banco Central.
Como se proteger no Pix
- Use validação biométrica — adicionar selfie ao perfil ativa proteções extras
- Reduza o limite noturno ao mínimo (R$ 200 ou R$ 500) — você não faz Pix grande de madrugada
- Cadastre dispositivos confiáveis — celular pessoal apenas; remova celulares antigos
- Confira o nome completo antes de confirmar — o nome do destinatário aparece no app
- Use chaves diferentes para situações diferentes (CPF para conhecidos, e-mail para vendas online, aleatória para uso público)
Os golpes mais comuns no Pix em 2026
- Falso boleto/Pix duplicado: golpista envia QR Code falso simulando uma cobrança real
- Engenharia social: "alguém da sua família precisa de Pix urgente" — exigem pressão psicológica
- Falsa central de atendimento: liga se passando por banco, pede dados ou Pix de "verificação"
- Sequestro relâmpago: criminoso obriga vítima a transferir o limite noturno completo





