O empréstimo consignado tem a taxa mais baixa do crédito pessoal — teto de 1,85% ao mês para aposentados do INSS em 2026, contra mais de 13% do rotativo do cartão. E o novo Crédito do Trabalhador levou o consignado ao trabalhador CLT, com o FGTS como garantia. Antes de assinar, entenda as taxas, a margem, os tipos e as armadilhas.
O crédito consignado movimenta mais de R$ 600 bilhões no Brasil e é o produto financeiro mais contratado por aposentados. A razão é simples: como o desconto é garantido em folha, o risco do banco é menor – e isso se traduz em juros menores para o tomador. Mas "menor" não significa "barato".
Quais são os tipos de consignado e as taxas em 2026?
O consignado tem público e teto de juros diferentes para cada categoria. O do INSS é o mais barato (1,85% ao mês); o Crédito do Trabalhador (CLT) é mais caro, mas abriu o consignado para quem tem carteira assinada. Veja o quadro:
| Tipo | Taxa máxima (a.m.) | Prazo máximo | Margem |
|---|---|---|---|
| Aposentado/pensionista INSS | 1,85% | 108 meses | 45% do benefício |
| Servidor público federal | ~1,50% a 2,00% | 96 meses | 35% do salário |
| Crédito do Trabalhador (CLT) | ~3,2% a 3,9%* | conforme contrato | 35% do salário líquido |
| Beneficiário BPC/LOAS | teto regulado pelo governo | 84 meses | 30% do benefício |
*Taxa média do Crédito do Trabalhador (o Procon-SP achou de 3,19% a 6,61% em fev/2026). Teto do INSS em 1,85% ao mês desde 2026. Fonte: Banco Central e INSS.
O que é o Crédito do Trabalhador (consignado CLT)?
É o novo consignado para quem tem carteira assinada, criado pela Lei 15.179/2025. Antes, o consignado CLT dependia de convênio entre a empresa e o banco; agora qualquer trabalhador do setor privado pode contratar, com os dados puxados direto do eSocial e do CNIS. A parcela é descontada na folha, limitada a 35% do salário líquido.
A grande novidade é a garantia: o trabalhador pode oferecer o FGTS como garantia — até 10% do saldo mais 100% da multa rescisória. A partir de 23 de junho de 2026, essa oferta de garantia entrou em operação, o que tende a reduzir os juros. Se você for demitido, as parcelas são abatidas das verbas da rescisão, dentro desses limites.
É um divisor de águas para os 40 milhões de trabalhadores CLT — mas a taxa ainda é bem maior que a do INSS. Vale comparar antes de contratar.
Quanto custa um consignado de R$ 10.000?
Com o teto de 1,85% ao mês, um consignado de R$ 10.000 custa de R$ 2.474 (em 24 meses) a R$ 13.181 (em 108 meses) só de juros. Quanto mais longo o prazo, menor a parcela — mas muito maior o custo total. Veja:
| Prazo | Taxa (a.m.) | Parcela | Total pago | Custo (juros) |
|---|---|---|---|---|
| 24 meses | 1,85% | R$ 519,77 | R$ 12.474 | R$ 2.474 |
| 48 meses | 1,85% | R$ 316,15 | R$ 15.175 | R$ 5.175 |
| 72 meses | 1,85% | R$ 252,45 | R$ 18.176 | R$ 8.176 |
| 108 meses | 1,85% | R$ 214,64 | R$ 23.181 | R$ 13.181 |
Simulação com taxa de 1,85% a.m. (teto INSS 2026), Sistema Price. Sem IOF e seguros, que aumentam o CET. Compare sempre o CET (Custo Efetivo Total), não só a taxa nominal. Fonte: Banco Central.
Atenção ao prazo longo: os 108 meses (9 anos) deixam a parcela baixa (R$ 215/mês), mas você devolve R$ 23.181 — mais que o dobro do que pegou. Para necessidade de curto prazo, prazos menores cortam o custo drasticamente.
O que é margem consignável e como calcular?
Margem consignável é o quanto do seu benefício ou salário pode ser comprometido com consignado. No INSS, o limite é de 45% do benefício, dividido assim:
- 35% para empréstimos consignados;
- 5% para o cartão de crédito consignado;
- 5% para o cartão benefício.
Para o Crédito do Trabalhador (CLT), o limite é de 35% do salário líquido. Quanto maior a margem já usada, menos sobra para um novo contrato.
Na prática: um aposentado que recebe R$ 3.000 tem até R$ 1.050 de margem para empréstimo (35%). Se já gasta R$ 600 em parcelas, sobram apenas R$ 450 de margem disponível para um novo contrato.
Para consultar a margem disponível:
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- INSS: Meu INSS (meu.inss.gov.br) → "Extrato de empréstimo" ou ligue 135
- CLT: solicite ao RH da empresa ou ao banco que oferece o consignado
- Servidor federal: SIGEPE (sigepe.planejamento.gov.br)
As 4 armadilhas do consignado que mais prejudicam
- Benefício suspenso ou cessado: se o INSS revisar e cortar o benefício – por morte, recuperação de capacidade ou fraude – as parcelas do consignado continuam sendo devidas. O banco cobra a dívida por outros meios. Antes de contratar para prazo longo, verifique a estabilidade do benefício.
- Portabilidade não oferecida: se você encontrar uma taxa menor em outro banco, tem direito à portabilidade gratuita do consignado – o novo banco quita o antigo sem custo. Muitos bancos não informam isso espontaneamente. Para solicitar: acesse o banco de destino e peça a portabilidade consignado.
- Seguros embutidos caros: bancos frequentemente incluem seguros de vida e prestamista no consignado. Esses seguros podem adicionar 0,5% a 1% ao mês ao custo – aumentando o CET significativamente. Você tem direito de recusar os seguros (exceto se condição contratual explícita). Compare sempre o CET, não a taxa nominal.
- Renovação desnecessária: quando resta pouco saldo devedor, bancos oferecem a "renovação" – um novo empréstimo maior que quita o anterior e libera mais dinheiro. O resultado é reiniciar o prazo e o custo. Calcule sempre o saldo devedor real antes de aceitar qualquer refinanciamento.
Consignado vs outros tipos de crédito – comparativo
| Tipo de crédito | Taxa média (a.m.) | R$ 10.000 em 24 meses |
|---|---|---|
| Consignado INSS | 1,85% | R$ 12.474 (+ R$ 2.474) |
| Crédito do Trabalhador (CLT) | ~3,50% | R$ 14.945 (+ R$ 4.945) |
| Crédito pessoal comum | 4,50% | R$ 16.557 (+ R$ 6.557) |
| Cheque especial | 8,00% | Não recomendado para prazo |
| Rotativo do cartão | 13,50% | Não recomendado para prazo |
Taxas médias de maio/2026. Fonte: Banco Central – Nota de Crédito.
Quando o consignado vale a pena – e quando não vale
Vale a pena quando:
- A finalidade é quitar dívida mais cara (cartão rotativo, cheque especial) – a diferença de taxa gera economia real
- A necessidade é urgente e o valor cabe na margem sem comprometer o padrão de vida
- O prazo escolhido é o menor possível que a parcela comporta no orçamento
Não vale a pena quando:
- O dinheiro será usado para consumo não essencial – o desconto automático cria falsa sensação de que "não está saindo do bolso"
- A margem já está comprometida com outros consignados – novo empréstimo aprofunda o endividamento
- O benefício é temporário (auxílio-doença, benefício por incapacidade temporária) – risco de corte durante o prazo
Como contratar o consignado passo a passo
- Consulte sua margem: no Meu INSS (aposentado), no SIGEPE (servidor) ou no app do Crédito do Trabalhador (CLT).
- Compare propostas: peça a taxa e o CET em pelo menos 3 bancos — a diferença entre eles costuma ser grande.
- Confira o contrato: taxa, CET, número de parcelas, valor total e se há seguros embutidos (você pode recusar).
- Valide a contratação: no INSS, com biometria facial pelo Meu INSS; no Crédito do Trabalhador, pelo app oficial.
- Acompanhe o desconto: confira se a parcela bate com o contratado já no primeiro mês.
Nunca contrate por links recebidos no WhatsApp ou por telefone — use apenas os canais oficiais do banco e do governo.
Golpes do consignado: como se proteger
O consignado é alvo número 1 de golpistas — eles sabem que aposentado e CLT têm margem disponível. Os golpes mais comuns:
- Falsa central do banco ou do INSS: ligam oferecendo "consignado liberado" e pedem dados ou um depósito antecipado para "liberar". Nenhum banco cobra adiantado.
- Empréstimo que você não pediu: aparece um desconto na folha sem contratação. Conteste no banco e bloqueie novos empréstimos no Meu INSS.
- Falso desconto ou portabilidade: prometem "limpar" parcelas mediante pagamento. É golpe.
Proteja-se: bloqueie a contratação de consignado no Meu INSS quando não for usar, desconfie de oferta por telefone ou WhatsApp e nunca pague nada adiantado. Veja também os golpes de Pix mais comuns.
Consignado e biometria: a nova regra do INSS
Desde 2026, contratar consignado no INSS exige validação por biometria facial pelo aplicativo ou site Meu INSS. A medida foi criada justamente para conter fraudes e empréstimos feitos sem o conhecimento do beneficiário — na prática, ninguém faz um consignado no seu nome sem passar pela sua biometria.
Quem não tem biometria registrada precisa cadastrar — vale a da CNH ou do título de eleitor. Entenda no artigo sobre a biometria obrigatória do INSS.
Portabilidade do consignado: como trocar de banco e pagar menos
Se você já tem um consignado e encontrou uma taxa menor em outro banco, tem direito à portabilidade gratuita – garantida pela Resolução 4.292 do Banco Central:
- Solicite o extrato de saldo devedor atualizado ao banco atual (obrigatório por lei fornecer em até 1 dia útil)
- Leve esse extrato ao banco de destino e solicite a portabilidade
- O banco novo quita o saldo devedor no banco original e assume o contrato
- A nova parcela, com a taxa menor, é descontada no mês seguinte
- Custo para você: zero. O banco não pode cobrar tarifa de portabilidade
| Exemplo | Banco atual (2,5%/mês) | Após portabilidade (1,97%/mês) |
|---|---|---|
| Saldo devedor | R$ 15.000 | R$ 15.000 |
| Prazo restante | 48 meses | 48 meses |
| Parcela mensal | R$ 467,18 | R$ 426,43 |
| Economia por mês | – | R$ 40,75/mês |
| Economia total | – | R$ 1.956 em 48 meses |
CET vs taxa nominal: o número que o banco não destaca
O CET (Custo Efetivo Total) inclui todos os encargos do empréstimo – taxa de juros, IOF, seguros e tarifas. É o número que você deve comparar, não a taxa nominal:
| Componente | Impacto no CET | Como verificar |
|---|---|---|
| Taxa de juros nominal | Principal | Contrato, campo "taxa de juros" |
| IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) | +0,38% fixo + 0,0041%/dia | Incluso no CET obrigatoriamente |
| Seguro prestamista | +0,3% a 1%/mês | Cheque a apólice – pode recusar |
| Seguro de vida | +0,1% a 0,5%/mês | Idem – opcional na maioria dos contratos |
Pela Resolução 3.517 do Banco Central, o CET deve ser informado obrigatoriamente antes da assinatura do contrato. Se o banco não informar o CET, recuse o contrato e registre reclamação no Banco Central (Meu BC).
Amortização antecipada: como quitar o consignado antes do prazo
Você tem direito a quitar antecipadamente o consignado a qualquer momento – com desconto dos juros futuros (Lei 14.181/2021):
- Solicite ao banco o valor de quitão antecipada com desconto proporcional dos juros
- O banco deve calcular o saldo devedor considerando apenas os juros já vencidos – não todos os futuros
- Quite com FGTS (se disponível e se o contrato permitir) ou com recursos próprios
Exemplo: consignado de R$ 20.000 em 96 meses (1,97%/mês). Após 24 meses, saldo devedor na Tabela Price ainda é de ~R$ 18.500 (muito do valor inicial ainda é saldo devedor porque as primeiras parcelas têm mais juros que amortização). Amortizar antecipadamente nesse momento economiza até R$ 6.000 em juros futuros.





