O empréstimo consignado tem a taxa mais baixa do mercado de crédito pessoal — 1,97% ao mês para aposentados INSS em 2026, contra 6% a 10% do rotativo do cartão. Mas o desconto automático em folha esconde uma armadilha que aposentados e trabalhadores CLT frequentemente ignoram: se o benefício for cortado, a dívida continua. Antes de assinar qualquer contrato consignado, entenda as regras completas.
O crédito consignado movimenta mais de R$ 600 bilhões no Brasil e é o produto financeiro mais contratado por aposentados. A razão é simples: como o desconto é garantido em folha, o risco do banco é menor — e isso se traduz em juros menores para o tomador. Mas "menor" não significa "barato".
Quem tem direito ao consignado e quais são as taxas
| Tipo de beneficiário | Taxa máxima (a.m.) | Prazo máximo | Limite de margem |
|---|---|---|---|
| Aposentado/pensionista INSS | 1,97% | 96 meses | 35% do benefício |
| Servidor público federal | ~1,50% a 2,00% | 96 meses | 35% do salário |
| Trabalhador CLT | 2,00% a 2,50% | 48 meses | 35% do salário |
| Beneficiário BPC/LOAS | 2,89% (consignado social) | 84 meses | 30% do benefício |
Taxas de referência maio/2026. A taxa efetiva pode variar por banco e prazo. Taxa máxima INSS fixada pelo Conselho Nacional de Previdência Social. Fonte: Banco Central e INSS.
Simulação: quanto custa um consignado de R$ 10.000
| Prazo | Taxa (a.m.) | Parcela mensal | Total pago | Custo total |
|---|---|---|---|---|
| 24 meses | 1,97% | R$ 505,97 | R$ 12.143 | R$ 2.143 |
| 48 meses | 1,97% | R$ 303,86 | R$ 14.585 | R$ 4.585 |
| 72 meses | 1,97% | R$ 229,06 | R$ 16.492 | R$ 6.492 |
| 96 meses | 1,97% | R$ 190,74 | R$ 18.311 | R$ 8.311 |
Simulação com taxa de 1,97% a.m. (teto INSS maio/2026). Sistema Price (parcelas iguais). Sem IOF e seguros adicionais — que podem acrescentar 0,3% a 1% ao custo total. Compare o CET (Custo Efetivo Total), não apenas a taxa nominal. Fonte: Banco Central.
Atenção ao prazo longo: um empréstimo de R$ 10.000 em 96 meses parece confortável (R$ 190/mês), mas você devolve R$ 18.311 — ou seja, 83% a mais do que pegou. Para necessidades de curto prazo, prazos menores reduzem drasticamente o custo total.
A margem consignável — o que pode e o que não pode descontar
A lei federal (Lei 10.820/2003 para CLT, Decreto 8.690/2016 para INSS) limita o comprometimento em 35% do benefício ou salário:
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- 30% para empréstimos e financiamentos consignados
- 5% para cartão de crédito consignado ou cartão benefício
Exemplo: aposentado com benefício de R$ 3.000/mês tem margem total de R$ 1.050. Se já tem parcelas de R$ 600, a margem disponível para novos empréstimos é de apenas R$ 300 (mais R$ 150 para cartão).
Para consultar a margem disponível:
- INSS: Meu INSS (meu.inss.gov.br) → "Extrato de empréstimo" ou ligue 135
- CLT: solicite ao RH da empresa ou ao banco que oferece o consignado
- Servidor federal: SIGEPE (sigepe.planejamento.gov.br)
As 4 armadilhas do consignado que mais prejudicam
- Benefício suspenso ou cessado: se o INSS revisar e cortar o benefício — por morte, recuperação de capacidade ou fraude — as parcelas do consignado continuam sendo devidas. O banco cobra a dívida por outros meios. Antes de contratar para prazo longo, verifique a estabilidade do benefício.
- Portabilidade não oferecida: se você encontrar uma taxa menor em outro banco, tem direito à portabilidade gratuita do consignado — o novo banco quita o antigo sem custo. Muitos bancos não informam isso espontaneamente. Para solicitar: acesse o banco de destino e peça a portabilidade consignado.
- Seguros embutidos caros: bancos frequentemente incluem seguros de vida e prestamista no consignado. Esses seguros podem adicionar 0,5% a 1% ao mês ao custo — aumentando o CET significativamente. Você tem direito de recusar os seguros (exceto se condição contratual explícita). Compare sempre o CET, não a taxa nominal.
- Renovação desnecessária: quando resta pouco saldo devedor, bancos oferecem a "renovação" — um novo empréstimo maior que quita o anterior e libera mais dinheiro. O resultado é reiniciar o prazo e o custo. Calcule sempre o saldo devedor real antes de aceitar qualquer refinanciamento.
Consignado vs outros tipos de crédito — comparativo
| Tipo de crédito | Taxa média (a.m.) | Para R$ 10.000 em 24 meses |
|---|---|---|
| Consignado INSS | 1,97% | R$ 12.143 (+ R$ 2.143) |
| Consignado CLT | 2,20% | R$ 12.418 (+ R$ 2.418) |
| Crédito pessoal banco | 4,50% | R$ 15.480 (+ R$ 5.480) |
| Cheque especial | 8,00% | Não recomendado para prazo |
| Rotativo cartão | 14,00% | Não recomendado para prazo |
Taxas médias de maio/2026. Fonte: Banco Central — Nota de Crédito.
Quando o consignado vale a pena — e quando não vale
Vale a pena quando:
- A finalidade é quitar dívida mais cara (cartão rotativo, cheque especial) — a diferença de taxa gera economia real
- A necessidade é urgente e o valor cabe na margem sem comprometer o padrão de vida
- O prazo escolhido é o menor possível que a parcela comporta no orçamento
Não vale a pena quando:
- O dinheiro será usado para consumo não essencial — o desconto automático cria falsa sensação de que "não está saindo do bolso"
- A margem já está comprometida com outros consignados — novo empréstimo aprofunda o endividamento
- O benefício é temporário (auxílio-doença, benefício por incapacidade temporária) — risco de corte durante o prazo





