Quem ganha R$ 4.500 brutos em 2026 paga R$ 275 de Imposto de Renda — não os R$ 1.011 que a alíquota máxima de 22,5% sugere. Isso porque o IR no Brasil é progressivo: cada parte do salário paga a alíquota da sua própria faixa, não do total. A alíquota efetiva real é 6,1% do bruto. Entender essa diferença é o que separa quem planeja o orçamento de quem se surpreende no contracheque todo mês.

O cálculo do IR no salário segue uma lógica diferente da que a maioria imagina. Não basta olhar para a faixa onde o salário "cai" — é preciso calcular quanto cada fatia paga na sua alíquota específica, e depois subtrair a parcela a deduzir.

A tabela progressiva do IR 2026 — e como ela funciona

A tabela abaixo mostra as faixas vigentes para o desconto mensal na fonte (IRRF) em 2026. A parcela a deduzir é o valor que o método matemático simplificado subtrai para chegar ao mesmo resultado que o cálculo faixa a faixa:

Base de cálculo mensalAlíquotaParcela a deduzir
Até R$ 2.259,20Isento
R$ 2.259,21 a R$ 2.826,657,5%R$ 169,44
R$ 2.826,66 a R$ 3.751,0515%R$ 381,44
R$ 3.751,06 a R$ 4.664,6822,5%R$ 662,77
Acima de R$ 4.664,6827,5%R$ 896,00

Tabela progressiva mensal IRPF 2026. O IR incide sobre a base de cálculo (salário − INSS − deduções), não sobre o salário bruto. Dedução por dependente: R$ 189,59/mês. Fonte: Receita Federal.

Como calcular o IR passo a passo

Exemplo com salário de R$ 4.500 e sem dependentes:

  1. INSS progressivo: 7,5% × R$ 1.621 + 9% × R$ 1.281,84 + 12% × R$ 1.451,43 + 14% × R$ 145,73 = R$ 121,58 + R$ 115,37 + R$ 174,17 + R$ 20,40 = R$ 431,52
  2. Base do IR: R$ 4.500 − R$ 431,52 = R$ 4.068,48
  3. Alíquota aplicada: base está na faixa de 22,5% (entre R$ 3.751,06 e R$ 4.664,68)
  4. IR = 22,5% × R$ 4.068,48 − R$ 662,77 = R$ 915,41 − R$ 662,77 = R$ 252,64
  5. Salário líquido: R$ 4.500 − R$ 431,52 − R$ 252,64 = R$ 3.815,84

IR por faixa salarial — quanto paga cada salário em 2026

Salário brutoINSSBase IRIR mensalAlíquota efetiva IRLíquido
R$ 1.621R$ 121,58R$ 1.499,420%R$ 1.499,42
R$ 2.500R$ 189,42R$ 2.310,580%R$ 2.310,58
R$ 3.000R$ 245,69R$ 2.754,31R$ 37,571,3%R$ 2.716,74
R$ 4.000R$ 373,77R$ 3.626,23R$ 162,494,1%R$ 3.463,74
R$ 5.000R$ 492,22R$ 4.507,78R$ 343,646,9%R$ 4.164,14
R$ 7.000R$ 717,27R$ 6.282,73R$ 830,2511,9%R$ 5.452,48
R$ 10.000R$ 908,86R$ 9.091,14R$ 1.604,5616,0%R$ 7.486,58

Sem dependentes. Cálculo com tabelas INSS e IRPF 2026. A alíquota efetiva de IR é calculada sobre o salário bruto total. Fonte: Receita Federal.

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Por que a alíquota efetiva é menor que a nominal

Este é o ponto que mais confunde: um salário de R$ 7.000 "está na faixa de 27,5%", mas a alíquota efetiva de IR é só 11,9%. Por quê?

Porque o cálculo progressivo tributa apenas a parcela do salário em cada faixa. Os primeiros R$ 2.259,20 são isentos para todo mundo. Os próximos R$ 567 pagam 7,5%. E assim por diante. Quando dizemos que um salário "está na faixa de 27,5%", significa apenas que a parte que excede R$ 4.664,68 paga essa alíquota — não o salário todo.

Como dependentes reduzem o IR

Cada dependente declarado deduz R$ 189,59/mês da base do IR. O impacto é direto:

  • Salário R$ 3.000, sem filhos → IR de R$ 37,57/mês
  • Salário R$ 3.000, com 1 filho → base cai R$ 189,59 → IR de R$ 23,36/mês (economiza R$ 14,21/mês = R$ 170,52/ano)
  • Salário R$ 3.000, com 2 filhos → IR de R$ 9,15/mês (economiza R$ 28,42/mês = R$ 341,04/ano)

Declarar dependentes na empresa (via formulário de IR na fonte) reduz o desconto mensal automaticamente. Não fazer isso significa pagar mais IR durante o ano e só recuperar na declaração anual — perdendo o uso do dinheiro no meio tempo.