Para um profissional com salário CLT de R$ 8.000, o regime PJ precisaria faturar pelo menos R$ 10.700/mês para empatar no bolso — depois de impostos, custos operacionais e sem os benefícios que o CLT garante. A conta muda para cada salário, cada perfil e cada regime tributário. É o que o Simulador CLT vs PJ 2026 do Tendo Em Vista calcula com precisão.
A dúvida "CLT ou PJ" não tem resposta universal. Tem resposta para o seu salário, seu faturamento e seus gastos fixos como autônomo. O erro mais comum é comparar só o número bruto da nota fiscal com o salário bruto — sem colocar na conta o que o CLT paga que o PJ não paga.
O que o CLT paga que o PJ não paga
Antes de comparar os números, é preciso entender o que está "escondido" no pacote CLT. Esses valores somam muito mais do que a maioria das pessoas imagina:
| Benefício CLT | Valor mensal estimado (salário R$ 8.000) |
|---|---|
| FGTS (pago pelo empregador) | R$ 640,00 (8% do bruto) |
| 13º salário (rateado) | R$ 606,00 (1/12 do bruto) |
| Férias + 1/3 (rateado) | R$ 888,00 (1/12 × bruto × 1,333) |
| Vale-refeição (típico) | R$ 600,00 |
| Vale-transporte (típico) | R$ 200,00 |
| Plano de saúde (custo empresa) | R$ 400,00 |
Valores estimados para ilustração. O FGTS é depositado mensalmente pelo empregador e só é acessado em demissão sem justa causa, saque-aniversário ou aposentadoria. Fonte: Caixa Econômica Federal e CLT.
Somados, esses benefícios representam quase R$ 3.334/mês além do salário líquido. O PJ precisa gerar renda suficiente para repor tudo isso — mais os custos operacionais que a empresa não cobre.
A conta completa: CLT R$ 8.000 vs PJ
Veja a simulação para um profissional com salário CLT de R$ 8.000 e os mesmos benefícios da tabela acima, comparado ao regime PJ no Simples Nacional (Anexo III — serviços):
| Item | CLT R$ 8.000 | PJ R$ 10.000/mês | PJ R$ 12.000/mês |
|---|---|---|---|
| Faturamento / Salário bruto | R$ 8.000 | R$ 10.000 | R$ 12.000 |
| Impostos (INSS + IR ou Simples) | − R$ 1.282 | − R$ 600 (6%) | − R$ 1.344 (11,2%) |
| Custos operacionais PJ | — | − R$ 500 | − R$ 500 |
| Líquido base | R$ 6.718 | R$ 8.900 | R$ 10.156 |
| + Benefícios (VR + VT + plano) | + R$ 1.200 | — (por conta própria) | — (por conta própria) |
| + 13º + Férias (competência) | + R$ 1.494 | — | — |
| Total mensal efetivo | R$ 9.412 | R$ 8.900 | R$ 10.156 |
Simulação com Simples Nacional Anexo III. Faixa 1 (até R$ 180 mil/ano): 6%. Faixa 2 (R$ 180 mil a R$ 360 mil/ano): 11,2%. INSS CLT: progressivo 7,5% a 14%. IR CLT: 27,5% menos R$ 896 (parcela a deduzir). Custos operacionais estimados: R$ 500/mês (contador + outros). Fonte: Receita Federal — Simples Nacional.
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O resultado: para um CLT de R$ 8.000, o PJ precisa faturar entre R$ 10.700 e R$ 11.000/mês para atingir o mesmo poder de compra — considerando todos os benefícios que deixa de receber.
⚖️ Calcule para o seu salário exato: use o Simulador CLT vs PJ 2026 — informe o salário CLT, os benefícios, o faturamento PJ e o regime tributário. O simulador mostra o líquido real de cada cenário e o faturamento mínimo necessário para o PJ compensar.
Quando o PJ vale mais que o CLT
Existem cenários em que o PJ é claramente mais vantajoso:
- Faturamento alto com impostos baixos: quem fatura menos de R$ 180 mil/ano no Simples Anexo III paga só 6% de impostos — muito abaixo da alíquota efetiva do CLT a partir de R$ 3.000.
- Autonomia e múltiplos clientes: o PJ pode prestar serviço para vários contratantes ao mesmo tempo, multiplicando a renda sem proporcionalidade nos impostos.
- Dedução de despesas: algumas estruturas societárias permitem deduzir custos operacionais da base tributável — o que o CLT não permite.
- Servidor público ou renda estável paralela: quem já tem estabilidade garantida em outro vínculo pode fazer PJ como segunda fonte de renda com baixa exposição ao risco.
Quando o CLT vale mais que o PJ
- Faturamento instável: meses ruins no PJ não têm colchão. O CLT paga todo mês, independente de crise ou cansaço.
- Família e planejamento de longo prazo: FGTS, auxílio-doença e seguro-desemprego são redes de segurança que o PJ precisa construir sozinho — e poucos constroem.
- Faturamento abaixo do ponto de equilíbrio: se o PJ não consegue faturar pelo menos 30-35% acima do salário CLT equivalente, o CLT é financeiramente superior.
- Proposta de "pejotização": quando a empresa quer transformar um funcionário CLT em PJ sem aumento equivalente, quase sempre o trabalhador perde. A empresa economiza — o profissional não.
O risco da "pejotização" disfarçada
Cuidado com propostas que transformam um vínculo CLT em PJ sem aumentar o valor. Quando a empresa propõe "PJ com a mesma nota fiscal do salário", ela está transferindo todos os encargos para o trabalhador — e ainda pode caracterizar vínculo empregatício se houver exclusividade, subordinação e habitualidade.
"A pejotização irregular é fraude trabalhista", diz a jurisprudência consolidada do TST. O trabalhador pode processar a empresa e receber retroativamente todos os direitos CLT — mesmo tendo assinado como PJ.
Como saber se a proposta PJ vale a pena
Três perguntas para decidir:
- O faturamento proposto supera o ponto de equilíbrio? Use o simulador para calcular. Se não supera em pelo menos 30%, a proposta é desvantajosa.
- Você tem ou vai ter outros clientes? PJ sem diversificação de clientes tem risco equivalente ao desemprego — sem seguro-desemprego.
- Você vai guardar o equivalente ao 13º e às férias? Se a resposta for "vou ver", provavelmente não vai. No CLT, é automático.





