O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, quer levar o fim da escala 6x1 a votação no plenário até o final de maio de 2026. A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) já aprovou a admissibilidade das PECs em tramitação, e o projeto enviado pelo governo tem urgência constitucional. Se aprovado, a mudança afetará diretamente mais de 70 milhões de trabalhadores brasileiros — e o debate sobre impactos e benefícios nunca foi tão urgente.
O tema voltou a dominar o noticiário em 2025 após a deputada Erika Hilton apresentar a PEC 8/2025, que propõe a escala 4x3 com jornada de 36 horas semanais. Desde então, a pressão nas redes sociais e no Congresso não parou. Agora, com data concreta no horizonte, é hora de entender o que muda na prática.
As propostas que estão na mesa
Não há uma única proposta — há três caminhos em discussão no Congresso:
| Proposta | Jornada semanal | Escala | Status |
|---|---|---|---|
| PEC 221/2019 | 36h (redução gradual em 10 anos) | Flexível | CCJ aprovada |
| PEC 8/2025 (Erika Hilton) | 36h | 4x3 | CCJ aprovada |
| PL 1838/2026 (Governo Lula) | 40h | 5x2 ou equivalente | Urgência constitucional |
Fonte: Senado Federal / Agência Brasil EBC — maio de 2026. O texto final dependerá da negociação política antes da votação em plenário.
A tendência dos negociadores é convergir para 40 horas semanais com dois dias de folga — uma posição intermediária que o setor empresarial aceita com mais facilidade do que as 36 horas da PEC 8/2025.
O que muda na prática para o trabalhador
Se a proposta de 40h/5x2 prevalecer:
- Quem trabalha em 6x1 hoje: ganharia um dia extra de folga por semana — ou seja, dois dias de descanso em vez de um
- Salário: mantido integralmente — a irredutibilidade salarial é cláusula pétrea em todas as propostas
- Horas semanais: redução de até 44h para 40h (diferença de 4 horas por semana, ou ~16h por mês)
- Setores mais impactados: comércio, serviços, indústria de turnos
💼 Entenda seus direitos trabalhistas hoje: leia o guia 12 direitos CLT que o patrão não pode violar — independentemente do que acontecer com o 6x1.
Publicidade
O que as empresas dizem — e o que dizem os estudos
O debate tem dois lados com dados reais. As confederações patronais (CNC e Fiesp) alertam:
- Impacto entre 4,7% e 21% na folha salarial, dependendo do setor
- Risco de pressão inflacionária por repasse de custos ao consumidor
- Possível aumento da informalidade em setores de baixa margem
Já estudos ligados ao governo e a sindicatos de trabalhadores apontam:
- Redução do absenteísmo e turnover — que hoje custam caro para as empresas
- Aumento de produtividade por hora trabalhada (base: experiências em países com jornada de 35-40h)
- Melhora na saúde mental dos trabalhadores, com redução de afastamentos por burnout
A regra de transição: o ponto mais importante
O detalhe que determinará o impacto real é a regra de transição. As propostas variam de adaptação imediata a até 10 anos para implementação completa. Para o trabalhador, a transição longa é menos vantajosa no curto prazo mas garante a continuidade do emprego. Para as empresas, é o fôlego para reorganizar escalas sem demissões em massa.
O ponto de maior negociação será se as empresas terão direito a alguma desoneração da folha de pagamento como compensação — o governo sinalizou abertura para discutir contrapartidas tributárias, especialmente para o pequeno empresário.
Quando o fim do 6x1 pode valer para você
Mesmo que o plenário vote em maio, a mudança não entra em vigor imediatamente. O caminho é:
- Câmara aprova (previsão: até 31/05/2026)
- Senado vota (prazo indefinido — pode levar meses)
- Promulgação — para PECs, não precisa de sanção presidencial
- Regra de transição começa — prazo de 1 a 10 anos dependendo do texto
O cenário mais otimista coloca a mudança começando a valer para os primeiros setores no início de 2027. O mais conservador, para 2030-2033. Continue acompanhando as votações — o Tendo Em Vista atualizará este artigo conforme o processo avança.





